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sexta-feira, 29 de abril de 2011

Capitulo 2 - { Dois anos, dois sorrisos, duas casas }


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Manhã de domingo, não sei por que, mas hoje me recordei da noite do meu aniversário de dois anos atrás. Faz tanto tempo, então por quê? Aquela noite de certa forma havia sido mágica, na verdade o dia inteiro havia sido. Dezessete anos... Fim da escola e começo de uma vida real! É dois anos mudam muita coisa. Revirei-me um pouco na cama, virei para o outro lado e tinha alguém. AH! Era o Sti, meu namorado. Sim, o Stick do telefonema, a gente acabou se conhecendo melhor... É melhor explicar como foi.
Eu resolvi fazer academia junto com minha mãe. Nossa como tinhas homens lindos no meu horário. Deus ouviu minhas preces! E no mesmo horário também ficava o Stick, a gente foi conversando na academia, rindo, e outras coisas. Certo dia ele me chamou pra sair depois do horário comigo, eu aceitei claro. Como estávamos completamente suados, ele decidiu que passaríamos primeiro na casa dele para tomarmos um banho. Bom, meio chato pra mim, por ir a casa dele, mas poderiam acontecer coisas não é?! Chegando lá ele foi logo tomar o banho e se trocar, logo depois fui eu. Não, ele não me espiou nua, nem me atacou enquanto estava no chuveiro, simplesmente foi um perfeito cavalheiro e aguardou.  Troquei-me, vesti a roupa que eu estava antes de ir pra academia que eu levava na bolsa. Ajeitei-me um pouco mais né. Afinal, ele merecia! Sai, ele me olhou de um jeito muito lindo, que até corei. Fui andando na sua direção, mas ele não esperou muito, puxou-me com delicadeza e simplesmente sorriu e me abraçou. Eu acabei o conhecendo de verdade e de certa forma me apaixonando, era cedo ainda para dizer. Descemos e fomos para o restaurante, jantamos, e depois ele me levou para casa. Ficamos um tempo conversando na porta. Minha mãe estava viajando com o Ash, uma pré lua de mel digamos. Convidei-o para entrar, ficamos no sofá conversando um pouco, eu não havia percebido na hora que pouco a pouco ele ia se aproximando de mim, chegando a colar testa-testa.
- To pensando em começar a trabalhar e mudar o horário da academia, ainda to pensando não é nada certo.
- Pensa bem, e me avisa para eu poder mudar também.
- Mas, você tem seu emprego, não precisa fazer isso.
- Eu dou o meu jeito. – Acariciou meu rosto e começou mexer numa mecha do meu cabelo.
- Tudo bem então, mas você tem que pensar bem também e...
Foi quando ele parecia não agüentar mais a distancia entre nossos corpos e puxou-me contra si tocou meus lábios. Minha respiração ficou mais forte, e o singelo e lindo beijo aconteceu. Foram minutos ou horas, até dias se pudéssemos, mas ficamos ali entre beijos, selinhos, abraços e caricias.  Romântico demais? Não, apenas amor.
Isso ocorreu a 7 meses, e a 7 meses estamos juntos. A nossa primeira noite de amor? Sim, tivemos e foi mágico... Mas deixa pra contar depois. Voltando ao dia de hoje, virei-me e vi aquele lindo rosto dormindo, sentei na cama e fiquei olhando pra grande janela do quarto dele, logo senti braços fortes passando pelo meu corpo, sorri.
- Bom dia meu verão encantado. – sussurrou Stick no meu ouvido.
Arrepiei
- Bom dia meu amor.
Virei-me, e ficamos ali aproveitando a manhã aos beijos.
Por volta das 11 sai para encontrar a Leslie, a irmã do Lucca. Stick foi me deixar até o café e depois foi encontrar uns amigos.
- Leslie sua vaca!
- Bom dia pra você também Summer! – riu
- Você me deixou a tarde plantada lá na biblioteca te esperando! E ainda manda o Lucca pra avisar que não pode, você sabe que apesar do Lucca ser meu melhor amigo o Sti não vai com a cara dele, pensa muito besteira dele... Não sei por que.
- Não sabe é?
- Você também não né?! Por favor, já basta as minhas outras amigas! Mas e ai, como tá com o noivão?
- Ai amiga, o Paul tá sendo... – falou com os olhos brilhando de amor, provavelmente pra elogiar muito ele. – um idiota chato!
- Como assim? Alô? Cadê a Lili que sempre elogia muito o cara?!
- Ai cansei, ele tá sendo muito chato comigo.
- Mas por quê? Como? Explica-me isso direito!
- Ciúmes!
Ri.
- Mas você adorava isso nele!
- Mas ele passou dos limites, começou a ser todo chato só por que eu tava sendo muito amiga de um cara que ele não vai muito com a cara. Qual é, o Pablo é legal. 
- Se você sabia que ele não gostava do Senhor Pablo, por que ficou amiga dele?
- Tipo, a gente se conheceu no cinema e ficamos amigos. Nada demais! Ele não é isso que todo mundo diz poxa. Um cara super tarado, ele também tem sentimentos. E eu num sou que nem você que faz tudo que seu homem manda.
- Hey! Eu não assim também!
Olhou com um olhar fuzilador!
- Summer Ollem você é sim! Você faz tudo que o idiota do Stick diz pra você fazer! Deixa de ter amigos por que ele não gosta, deixa de sair, deixa de conversar, deixa um monte de coisas. Qual foi a ultima vez que você saiu com seus melhores amigos?! A Cort e o Luc?!
- Não me lembro, mas também não faz tanto tempo assim.
Será que eu realmente era pau mandado dele?!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

cont. cap. 1;

Passei a noite recebendo os parabéns, recebendo as pessoas. Simplesmente observando. Tinha alguém que me chamava a atenção em especial. Não o vi acompanhado a noite inteira, então devia estar sozinho. Aproximei-me, esperava não correr o perigo dele namorar e ela não está lá. Respirei fundo. Pensei “é só um cara Summer, ele tá na sua festa. Você manda aqui essa noite então pode falar com quem quiser!”
Cheguei bem perto, ele me viu e sorriu, involuntariamente sorri de volta.
- Oi! Ainda não tive a oportunidade de parabenizá-la. – disse isso, abraçando-me.
- Ah! Obrigada.
Fiquei ali calada por alguns minutos imaginando que tipo de assunto eu podia puxar. Eu estava ensaiando mentalmente o que ia falar. Isso era completamente ridículo.
- Bom, acho que você não sabe o meu nome não é?
- É. Então qual o seu nome?
- David.
- David ...
- O resto não interessa muito.
Ergui uma das sobrancelhas, meio confusa pelo fato dele não querer contar-me seu sobrenome, mas continuei a conversar.
- Quer ir lá pra fora? Aqui é meio difícil de conversar não acha?
- Ah! Claro, vamos – respondi.
Saímos pela multidão de pessoas chegando até a entrada da academia, sentei-me no batente da calçada, ele sentou-se do meu lado.
- Quinze anos! Nossa, eu me lembro de quando eu o fiz, bom para meninos é mais diferente, acho que gostamos mais quando fazemos 18!
- Eu nunca fui muito “fã” de aniversários, então pra mim eu apenas estou ficando um ano mais velha.
- Por não gosta de aniversários?
- Não é que eu não goste... Eu não gosto dos MEUS aniversários.
- Por quê?
- É complicado... – baixei o olhar.
- Tenho a noite toda. – sorriu
- Sabe... Quando eu tinha 7 anos, quer dizer, 6 por que isso aconteceu um dia antes do meu aniversário. Meu pai me levou, e minha mãe também, para saltarmos de pára-quedas, eu não ia saltar claro, mas ele e mamãe iam. Era um dia lindo- sorri com os olhos marejados – quando chegamos lá em cima, papai disse que saltaria primeiro, mamãe estava morrendo de medo, praticamente estava desistindo, mas papai não. Era o fim de um ano, ele queria começar o outro saltando... Nas alturas – uma lágrima escorreu do meu rosto- eu queria tanto saltar com ele, mas ele disse que quando eu fizesse 15 anos, ele me levaria, e pulou. Ficamos olhando pra baixo, vendo ele saltar. Esperei pra ver as lindas cores do pára-quedas dele. Só que depois de alguns segundos, o pára-quedas não abriu... – enxuguei as lágrimas que já escorriam por meu rosto, fiquei alguns segundos olhando pro nada. – quando minha mãe percebeu o que havia acontecido, eu vi o rosto dela todo vermelho, segurando as lágrimas que não deviam ser seguradas. Ela abraçou-me forte, eu era pequena, mas entedia fácil as coisas. Eu a abracei e disse “ficará tudo bem mamãe”. Ela apenas ficou calada, e no dia seguinte, ela acordou cedo deu um leve sorriso e me desejou feliz aniversário com os olhos vermelhos. Eu sinto que ela superou, mas eu nunca superei, e é por isso que eu não gosto do meu aniversário.  – lembrei do que havia acontecido mais cedo comigo, a minha crise de choro do nada.
- Nossa! Que barra, mas... Eu percebi que ele disse que quando fizesse 15 anos te levaria para saltar. Ainda tem vontade?
- NÃO! Pára-quedas é algo que eu não gosto de ver nem em desenho.
- Entendo.
- Eu nunca havia falado isso com ninguém antes...
- Que honra... Eu acho. Mas você nem me conhece direito... Então por que?
- Talvez seja por isso.
- Isso o que?
- Que eu nem te conheça direito. – sorri e falei já me levantando e voltando para a festa.
Fiquei parada perto da porta.
- Não vem?
Ele olhou-me e sorriu.
- Não, mas eu quero te levar num lugar.
Olhei-o meio desconfiada, afinal... AONDE ELE IRIA ME LEVAR?
- Só por curiosidade, mas aonde você tá pensando em ir?
- É surpresa!
- AAAH! Tudo bem.
Desci até onde ele estava. Ele passou o braço pelo meu ombro deixando-me mais perto dele, dei um leve sorriso.
- Você é até legal sabia?
- É e você não é de se jogar fora.
Ele riu.
- Não é?
Gargalhei
- Melhor deixar isso pra lá.
Andamos um pouco até o carro dele, ele abriu a porta do passageiro para eu entrar, deslizei até o banco, e enquanto ele ia até o lado do motorista, fiquei olhando o carro. Bom, ele era organizado ao menos. Ele entrou, fechou a porta, ligou o carro e saiu dirigindo.
- Será que agora pode me contar aonde vamos?
- Não, já disse que é surpresa.
Ligou o radio.
- OH MY GOD! NICKELBACK?!
Ele assustou-se um pouco com meu grito.
- É... Você gosta?
- Apesar de ser uma banda meio antiga, eu amo!
E começamos a cantar “Far Away” juntos, quando ouvi aquela voz cantando... Nossa! Ele cantava divinamente.
“ 'Cause you know, you know, you know...” (Porque você sabe, você sabe, você sabe...)
Olhou bem para mim e continuo a letra
That I love you, I have loved you all along and I miss you”. (Que eu te amo, eu sempre te amei e eu sinto sua falta)
Fiquei vermelha pela letra. Ele ficou me olhando por alguns segundos, o que me deixou mais constrangida.
- É, estamos pertos? – gaguejei um pouco
Olhou um pouco mais pra frente.
- Chegamos.
Desceu do carro e veio até o meu lado e abriu a porta, como um lindo cavalheiro. Sai do carro, ele pegou minha mão e fomos em direção ao local.
- Um salão de dança aberto? Não sabia que ainda existiam esses locais aqui.
Era um salão de dança aberto para quem quisesse ir lá dançar. Ele foi na direção da pista, envolveu delicadamente um braço em volta da minha cintura, e outro segurou minha mão. Eu ainda estava meio distante, então ele me levou para mais perto do seu corpo, tão perto que conseguia ouvir os rápidos batimentos do seu coração e sentir sua respiração. Com as testas coladas uma na outra, baixei o olhar, virei o rosto e recostei minha cabeça sobre o ombro de David, fechei os olhos e simplesmente vivia um sonho. Enquanto ele me guiava sentia meus pés fora do chão, e quase estavam mesmo, pois em alguns momentos ele erguia meu corpo do chão.
Ficamos ali “dançando” por alguns minutos, talvez até horas. Já havia perdido a noção do tempo. Ele dançava, eu apenas cambaleava de um lado a outro. A música lenta não ajudava muito, era meio constrangedor até. Ele olhou-me por alguns longos segundos, colocou sua mão no meu queixo, erguendo meu rosto deixando-me mais perto dele. Respirei fundo, arfei. Ele foi aproximando-se cada vez mais. Deixou a boca perto do meu rosto, e deu um demorado beijo na minha bochecha próxima ao canto da minha boca.

cont. cap. 1;

Enquanto ela abria a porta, me deparei com um monte de pessoas!
Virei rápido o rosto e olhei para o rosto sorridente da minha mãe.
- Qual parte do “nada de festa” que você não entendeu mãe?! OH MY GOD!
- Mas isso não é uma festa. Não, não! É uma união... De pessoas...
- De pessoas?
- Para comemorar seu aniversário!
- E não é uma festa?
- Não. – deu um sorriso amarelo.
- Ok.
Entrei no local, reconheci alguns rostos de primeira, mas um me chamou a atenção. Aproximei-me.
- Ash?!
- Hey Sum! – me deu um forte abraço.
- Nossa! Não esperava que estivesse aqui. Quer dizer, não esperava que ninguém estivesse aqui na verdade. – ri
- É sua mãe me convidou hoje mais cedo.
Então era isso, minha mãe devia ter falado de mim pra ele. Nossa nunca gostei tanto da minha mãe ter muitos amigos homens. Ela vinha na nossa direção, talvez para apresentar-nos oficialmente. Afinal ele poderia ser o futuro genro dela, nossa pensei longe agora! Mas algo estranho aconteceu estranho pra mim pelo menos. Ela o beijou.  Como ela podia beijá-lo na minha frente?!
- Pelo visto já se conhecem. – disse ela. CRETINA!
- Sim mãe. – forcei um sorriso.
- Filha, eu sei que nos últimos anos eu não namorei ninguém, tanto por consideração a você. Mas este homem me conquistou. – falou isso entrelaçando a mão direita na dele. – Eu e o Ash estamos namorando.
Fiquei imóvel por 7 segundos. Senti que todo o mundo desabava ao ouvir esta última frase!
- Nossa... Que bom mãe! – eu queria fugir dali naquele momento! E de repente, um anjo me salvou. A não era só a Cys. Ela me puxou rápido.
Ela começou a tagarelar algo, mas meus ouvidos pareciam tampados. Eu só conseguia pensar “eu estava apaixonada pelo namorado da minha mãe?!”. Fiquei num tipo de transe. Quando ela me sacolejou.
- Você tá me ouvindo Summer?!
- Hãm? O que? Desculpa, eu ainda to meio chocada pelo lance dessa festa.
- Poxa, você sabe como eu to, então por que convidou o Lucca?! Eu sei que ele é seu melhor amigo e blá blá blá, mas podia ter consideração por mim né?!
- Cys, eu não convidei ninguém dessa festa mulher!
- Ain mulher, eu vou ter um troço. Ele e a Alecya tão faltando se comer lá nos fundos. Ela tem idade pra ser tia daquela criatura do demônio! Eu to ficando agoniada. – e de repente ela começou a falar tudo rápido demais. E eu não entendia mais nada.
Do nada aparece um cara bonitinho, e me dá os parabéns.
- Oi Sum, parabéns amor!
- Oi. É, obrigada querido.
E saiu.
Olhei para a Cys.
- E quem é ele?
- Não sei, mas o senhor bunda gostosa me chama. – saiu na direção do cara olhando pra vocês já sabem aonde.
Balancei a cabeça e sai andando pela academia decorada. Não dava para tirar os aparelhos de lá, mas o espaço era grande e não ficava ninguém apertado. Digamos que metade dos rostos eram conhecidos, e os outros familiares por que eram amigos da minha mãe.  Falando nela, olhei para trás e busquei aquele casal.  Fiquei olhando de longe. Se eu não comparecesse nos jantares, saídas que ela me chamasse para ir com eles, pensaria que eu não gostava do fato dela namorar, o que era melhor do que saber que por um dia... Não, provavelmente não será um dia apenas... Que eu fui apaixonada pelo namorado dela. Sim, é melhor ela achar que eu não gosto dele.

cont. cap. 1;

De repente eu pego um rapaz me observando do balcão. Olhava-me como se tentasse me reconhecer. E de repente...
- Oi, Summer?- falou já se sentando ao meu lado.
- Oi... Bom, estou em desvantagem. Você sabe o meu nome, mas eu não sei o seu. –sorri
- Ah! Desculpe minha ignorância. –Pegou minha mão, deu um beijo na palma superior, e sorriu como um anjo. – Prazer, Ashton. Mas Ash se preferir.
- Prazer. Mas como o senhor sabe meu nome?
- Pareço tão velho assim para ser chamado de senhor? E conheço-lhe de fontes seguras- riu.
- É o costume de chamar os mais velhos de senhores.
- Não sou tão velho quanto imaginava, é apenas charme. – deu um sorriso torto que quebraria o joelho de qualquer um.
Jogamos conversa fora por alguns poucos minutos. Eu o via e sentia meu coração bater forte, podia ser apenas atração por aqueles lindos olhos negros onde eu podia me afundar profundamente. Era cedo pra dizer, mas eu sentia que era amor! Olhou pro relógio, marcavam 17:55.
- Nossa! Eu acabei perdendo a hora, tenho um compromisso muito importante.
- Ah! Mas já? – sorri. Tudo bem.
- Aliás, parabéns Summer.
- Como você sabe que hoje é meu aniversário?- perguntei realmente curiosa.
- Intuição masculina! Percebi pelo seu sorriso que mostra que está tornando-se uma linda moça.
Sorri envergonhada. Deu-me um beijo na testa, e saiu. Fiquei sentada ali, quer dizer fui ao céu e voltei.
- PUTA MERDA!- toda a lanchonete  me olhou, coloquei a mão na boca. O JANTAR COM A MÃE.
Sai correndo pra casa, entrei, ela estava sentada no sofá batendo o pé.  Sorri pra ela, e subi pro quarto pra tomar banho e trocar de roupa. Cheguei no quarto tinha um vestido roxo curto em cima da mesa, olhei por alguns minutos, do lado havia uma pulseira prata com pedrinhas lilases. O meu anel prata e meu colar com um F. O pingente era do meu pai, Frederick. Minha mãe me deu quando ele faleceu. No chão tinha uma caixa com um par de sandálias pretas, olhei para o salto. Arregalei os olhos.
- É bom ela me levar de carro por que nem louca eu vou andar com duas agulhas dessas debaixo dos pés.
Fiz o de costume. Desci as escadas. Olhei bem para minha mãe e ri.
- Se esse for meu presente, pode ir devolvendo na loja e ir comprar a bateria que eu pedi.
Riu e não disse nada, apenas me puxou para a garagem. Lá estava a bateria mais perfeita do mundo.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!- pulei em cima dela. – Eu já disse que você é a melhor mãe do mundo inteiro?
- Puxa saco, desce que você tá amassando o vestido. Vamos logo.
Ri e apenas entrei no carro. E fomos para o restaurante.
- Filha, antes nós vamos lá à academia que eu esqueci meu celular.
- Tá bom.
Chegando lá, ela parou o carro. Caramba nunca tinha percebido, aquele lugar a noite era sinistro mano.
- Vamos ué?
- Que? Vai lá e pega o celular, mulher!
- Tá louca menina? Não entro lá sozinha nem doida.
- Mãe!
- Filha- fez cara de cachorro sem dono. – é o meu celular, você sabe que eu não sei viver sem ele!
Bufei.
- Tá bom. – abri a porta do carro e sai.

cont. cap. 1;

Despedi-me delas, aquilo já era coisa demais pra mim. Sai andando pelas ruas, peguei meu casaco de tecido macio dentro da bolsa, vesti-o, e coloquei as mãos nos bolsos. Não sei por que, mas dessa forma me sentia mais segura. Vagando sozinha pela rua de sabe se lá onde, encontrei um velho amigo, Lucca. Corri para abraçá-lo, fazia alguns dias que não o via.
- Seu sumido- dei um tapa no seu braço.
Ele abraçou-me forte, e me rodou no ar. Soltou-me e me deu um selinho.
- Você tem que aprender a parar com isso Lucca, sair dando selinho em todo mundo. – cruzei os braços.
- Que foi? Tá com ciúmes? Se quiser eu dou só em você agora. – e deu um certo “olhar 43”
- Eu? Com ciúmes de você? Nossa, eu morreria então, por que toda semana você tá com uma guria diferente. Alias, o que foi essa de você e a Cys?
- Como todas as garotas que eu já contei pra ti que fiquei. Ah, qual é? Só por que eu dei um beijo e uns pegas a mais nela, ela achava o que? Que a gente tava namorando? Ela esqueceu quem eu sou?
- Bom, na verdade ela achava mesmo, e achava que você ia mudar. – ri da piada.
- Bom, mas mudando de assunto – estendeu-me o braço – Uma senhorita inofensiva não devia estar andando sozinha por estas ruas a esta hora.
- Lucca ainda são 3 da tarde!
- Mas qualquer hora, a qualquer momento pode acontecer algo ruim.
- Ah tipo eu encontrar um tarado no meio da rua. – fiz cara de quem pensava por uns segundos- Ah não, isso eu acabei de encontrar- dei um sorriso sarcástico.
- Tarado é? Huuum. – mordeu os lábios. - E se o tarado começar a correr atrás da moça inofensiva?- começou a andar mais rápido.
- Não Lucca, sai!- sai correndo e ele atrás de mim. Nisso chegamos à minha casa e adentramos.
- Tá espera aqui que eu volto já.
- Nada disso, eu subo com você- olhar sarcástico.
- Lu, eu vou trocar de roupa. – fiz cara de tipo “se toca cara”.
- Por isso mesmo. – ergueu as duas sobrancelhas e deu um sorriso.
Desci dos degraus, empurrei-o pelas costas até o sofá, sentei-o.
- Agora, fica aqui que eu já volto.
- Sim senhora aniversariante! – me puxou e me deu um beijo no rosto.
 O Lucca era meu melhor amigo, e eu era a melhor amiga dele. A gente se dava bem, acho que eu era a única pessoa que entendia as brincadeiras e ele próprio. Ele já tinha ficado com praticamente todas as meninas da cidade, com exceção de mim, da Leslie irmã dele, e da Cortney que tinha ódio mortal dele por que quando a gente era mais novo e estudávamos juntos ele vivia fazendo brincadeira com ela.
Subi as escadas, adentrei no meu quarto. Fiz o comum, despi-me, tomei meu banho, abri o guarda roupa e peguei qualquer roupa que combinasse. Não era ligada na moda, mas também não queria parecer uma doida de pedra afinal. Desci as escadas, cheguei a sala e vi o Lu e minha mãe conversando. Pararam assim que cheguei.
- Sobre o que os amigos de infância estavam cochichando?- perguntei curiosa.
- Nada minha princesa. - disse minha mãe.
- Arran, tá bom que eu acredito em você mãe! Mas ok. Vamos Lucca a gente tem que ir encontrar as meninas.
- Huuum. Meninas. Adoro!- mordeu o lábio inferior.
- LUCCA!- puxei pela gola da camisa, levando-o até a porta.
- Sum lembre-se de estar em casa as 6 para sairmos pra jantar!-gritou de dentro da casa.
- Tá bom manhê! Ain, não sei pra que jantar fora, ela sabe cozinhar como ninguém e quer comer essas coisas bestas- cochichei com o Lu.
- Ah poxa, dá uma folga pra ela. Ninguém agüenta cozinhar todo dia né!
- Tá bom.- revirei os olhos e continuamos caminhando.
Chegamos à pracinha da cidade, lugar marcado para nos encontrarmos. Para o meu azar e sorte do Lucca, só estava lá a Alecya que era doida por ele apesar de saber muito bem como ele era. Mal chegamos e os dois começaram num “abraça, beija, morde, chupa, pega, arranha” e por ai vai.
- Bom amores, eu acho que vou dá uma volta, eu volto depois. – pensei, depois de ano que vem. Lucca deu ‘positivo’ com o dedão. Ri e sai andando.
Parei numa lanchonete, entrei, olhei um pouco o local. Lembrava os anos 70 ou 80 não sei ao certo. Estofados de couro vermelho, mesas redondas, piso de um tom branco ou bege, talvez estivesse apenas gasto pelo tempo. Esse tipo de local me agradava, me levava a uma época que não vivi, mas que apreciava bastante. Sentei-me na primeira mesa vaga que vi. A garçonete chegou.
- Vai fazer algum pedido agora moça?
- É... Um sorvete de chocolate, 2 bolas com brigadeiro e calda de chocolate por cima por favor.
- Ok. Só um minuto.
Ela não levaria apenas um minuto, mas todo o mundo insistia em usar este termo. Eu era apaixonada por chocolate. Quando ganhava uma caixa com, era muito egoísta, escondia e comia aos poucos. E esse sorvete era o meu preferido: simples e saboroso.

cont. cap. 1;

Sim, minha melhor amiga era lésbica. Surpreso?  Bom, eu era como um diário ambulante dela, por que ela me contava tudo. Como tinha sido o primeiro beijo dela, a primeira tranza. Apesar de algumas vezes eu fingir que ouvia, ela sempre sabia e sempre me falava tudo. Se eu já fiquei com ela? Não, mas admito, tinha curiosidade, mas eu tinha mais curiosidade de ficar com um cara mais velho. Quer dizer, eu já havia ficado, é por isso que sou o que eu sou hoje! Pablo era o nome dele. Isso foi ano passado, eu tinha 14 anos. Foi assim:
Eu estava na festa de aniversário da Duda, curtindo, dançando, bebendo refrigerante. Até que um cara me puxou pela cintura para uma parte do local que possuía finas cortinas na frente. Me jogou contra a parede. Pensei: ‘Fudeu tudo, o cara vai me estrupar!’ Foi quando eu olhei para o rosto dele.
- SENHOR PABLO?
- Oi Sum, querida.
E apertou suas mãos contra meus braços na parede.
- O... Senhor é casado!
- Me divorciei da mãe da Duda a uma semana, o que me torna um homem – aproximou os lábios molhados na minha nuca- livre!
Fechei meus olhos, apertei meus lábios, não queria emitir nenhum som.
- O senhor sabe QUANTOS anos eu tenho?
- 14, mas tem um corpo de 18!
Eu deveria me sentir lisonjeada, mas ainda sentia medo. Ele parou, pegou minha mão direito, deu um leve beijo, sorriu.
- Desculpe-me se pareci muito atrevido, mas você é uma senhorita muito linda.
-É... Obrigada eu acho- sorri torto.
Deu-me um selinho. Estremeci um pouco. Saiu. Toquei meus lábios com a mão. Sorri. Foi uma vaga experiência, que para umas não valeria de nada... Mas para mim, significou uma mudança completa de pensamento.
Continuamos caminhando até chegarmos ao shopping. Rodamos por algumas lojas, comemos algumas besteiras, zuamos com algumas pessoas pelas costas, ou seja, no final fizemos bastantes coisas. E encontramos a Cys.
- Hey Cys.
- Oi Sum, oi Curt- disse num tom ríspido.
- Aconteceu alguma coisa?
- Se isso é alguma coisa pra você! Eu aqui achando que dessa vez o Lucca tomava jeito e a gente ia ficar por um bom tempo juntos. Tá ai, nem uma semana direito, ele me chutou! Mas eu ainda acabo com a raça daquele seu amiguinho Sum!- falou com raiva, me segurei para não rir. Coloquei a mão no ombro dela.
- Cys, todas nós sabemos que o Lucca é um galinha, que só Deus sabe em que mulher ele vai se amarrar de vez um dia!
Me olhou despreocupada e confusa.
- Você é claro!- disseram Curt e Cys em unis som e tom irônico.
Balancei a cabeça, aquilo era bobagem delas. O Lu era como o irmão que eu nunca tive, e sabia que pra ele eu era do mesmo jeito, apesar dele ter uma irmã mais velha, a Leslie. Eu sabia que ele tinha o mesmo carinho que eu tinha por ele, não era?

cont. cap. 1;

Subi para o meu quarto, sentei no chão do lado da minha cama, recostei a cabeça no colchão e me veio uma crise de choro do nada. Isso as vezes acontece comigo, não sei por que... Eu apenas sinto vontade de chorar! Coloquei a mão sobre a boca para abafar os soluços, levantei num só pulo e fechei a porta. Não queria que Kath ficasse perguntando o por que das lágrimas, encostei-me na porta, fui descendo de encontro ao chão, enquanto as lágrimas escorriam devagar. Passei a palma da mão por todo o rosto. “Summer, pra que chorar sem motivo? Isso é coisa de gente depressiva...” E eu senti uma forte pancada na porta, cai de encontro ao chão quando a porta se abriu.
- Sum, o q tá fazendo no chão?
- Cort, por que não bateu antes?- ela riu
- Desde quando Cortiney bate na porta de Summer?- balancei a cabeça.
- Tá, mas o que você tá fazendo aqui- olhei para o relógio, marcavam 10h14min- há essa hora?!
- AAH! Sei lá, tava sem nada pra fazer, daí lembrei que dia era hoje!- jogou-se no chão, e deitou-se ao meu lado.
Me olhou por alguns minutos.
- Por que não quer festa sua chata? – sentou-se rápido
Coloquei as mãos no rosto.
- NÃO NÃO E NÃO. Eu não quero festa Cortiney, e nem invente de convencer minha mãe do contrario tá ouvindo?
Fez um bico. Olhou pra baixo. Colocou o indicador no chão, ficou girando-o.
- Cort, para com isso!
- Com isso o que? – falou num tom baixo.
Abracei-a.
- AAAAAAAAAAH! O que seria de mim sem ti cachorra?
- Hey! Me respeite sua vagabunda do lixão.
Rimos juntas.
- ‘Bora’, levanta! Vamos sair e ver gatinhos na rua! Vai que a gente tem a sorte de ter protesto com homens pelados? –abanou-se como se estivesse com calor.
- Cort! – ri
- Que? Vai me dizer que você num dá nem uma olhadinha? AH não! Você gosta daqueles velhos todos enrugados – fez cara de nojo.
Ri alto.
- Dos velhos enrugados não. Dos enxutos e experientes.
- E... GOOOOOOSTOSOS admita!- rimos.
Puxei-a para a escada. Saímos de casa.
Andando pela rua, vimos alguns garotos e de repente a Cort se deparou com um.
- Olha que cara gostoso- mordeu o lábio inferior
- Cortiney- olhei bem pra ela
- Que?
- Desde quando você acha outros caras gostosos e bonitos? Que eu saiba você os vê como concorrentes.
- Poxa, eu sou lésbica, mas também posso olhar pra outros caras.
- Não, daí você seria bi.
Ficou me olhando por alguns segundos.
- Tá bom, eles são uns cretinos horrorosos- me mostrou a língua, como uma criança. Ri.

Musics !