Despedi-me delas, aquilo já era coisa demais pra mim. Sai andando pelas ruas, peguei meu casaco de tecido macio dentro da bolsa, vesti-o, e coloquei as mãos nos bolsos. Não sei por que, mas dessa forma me sentia mais segura. Vagando sozinha pela rua de sabe se lá onde, encontrei um velho amigo, Lucca. Corri para abraçá-lo, fazia alguns dias que não o via.
- Seu sumido- dei um tapa no seu braço.
Ele abraçou-me forte, e me rodou no ar. Soltou-me e me deu um selinho.
- Você tem que aprender a parar com isso Lucca, sair dando selinho em todo mundo. – cruzei os braços.
- Que foi? Tá com ciúmes? Se quiser eu dou só em você agora. – e deu um certo “olhar 43”
- Eu? Com ciúmes de você? Nossa, eu morreria então, por que toda semana você tá com uma guria diferente. Alias, o que foi essa de você e a Cys?
- Como todas as garotas que eu já contei pra ti que fiquei. Ah, qual é? Só por que eu dei um beijo e uns pegas a mais nela, ela achava o que? Que a gente tava namorando? Ela esqueceu quem eu sou?
- Bom, na verdade ela achava mesmo, e achava que você ia mudar. – ri da piada.
- Bom, mas mudando de assunto – estendeu-me o braço – Uma senhorita inofensiva não devia estar andando sozinha por estas ruas a esta hora.
- Lucca ainda são 3 da tarde!
- Mas qualquer hora, a qualquer momento pode acontecer algo ruim.
- Ah tipo eu encontrar um tarado no meio da rua. – fiz cara de quem pensava por uns segundos- Ah não, isso eu acabei de encontrar- dei um sorriso sarcástico.
- Tarado é? Huuum. – mordeu os lábios. - E se o tarado começar a correr atrás da moça inofensiva?- começou a andar mais rápido.
- Não Lucca, sai!- sai correndo e ele atrás de mim. Nisso chegamos à minha casa e adentramos.
- Tá espera aqui que eu volto já.
- Nada disso, eu subo com você- olhar sarcástico.
- Lu, eu vou trocar de roupa. – fiz cara de tipo “se toca cara”.
- Por isso mesmo. – ergueu as duas sobrancelhas e deu um sorriso.
Desci dos degraus, empurrei-o pelas costas até o sofá, sentei-o.
- Agora, fica aqui que eu já volto.
- Sim senhora aniversariante! – me puxou e me deu um beijo no rosto.
O Lucca era meu melhor amigo, e eu era a melhor amiga dele. A gente se dava bem, acho que eu era a única pessoa que entendia as brincadeiras e ele próprio. Ele já tinha ficado com praticamente todas as meninas da cidade, com exceção de mim, da Leslie irmã dele, e da Cortney que tinha ódio mortal dele por que quando a gente era mais novo e estudávamos juntos ele vivia fazendo brincadeira com ela.
Subi as escadas, adentrei no meu quarto. Fiz o comum, despi-me, tomei meu banho, abri o guarda roupa e peguei qualquer roupa que combinasse. Não era ligada na moda, mas também não queria parecer uma doida de pedra afinal. Desci as escadas, cheguei a sala e vi o Lu e minha mãe conversando. Pararam assim que cheguei.
- Sobre o que os amigos de infância estavam cochichando?- perguntei curiosa.
- Nada minha princesa. - disse minha mãe.
- Arran, tá bom que eu acredito em você mãe! Mas ok. Vamos Lucca a gente tem que ir encontrar as meninas.
- Huuum. Meninas. Adoro!- mordeu o lábio inferior.
- LUCCA!- puxei pela gola da camisa, levando-o até a porta.
- Sum lembre-se de estar em casa as 6 para sairmos pra jantar!-gritou de dentro da casa.
- Tá bom manhê! Ain, não sei pra que jantar fora, ela sabe cozinhar como ninguém e quer comer essas coisas bestas- cochichei com o Lu.
- Ah poxa, dá uma folga pra ela. Ninguém agüenta cozinhar todo dia né!
- Tá bom.- revirei os olhos e continuamos caminhando.
Chegamos à pracinha da cidade, lugar marcado para nos encontrarmos. Para o meu azar e sorte do Lucca, só estava lá a Alecya que era doida por ele apesar de saber muito bem como ele era. Mal chegamos e os dois começaram num “abraça, beija, morde, chupa, pega, arranha” e por ai vai.
- Bom amores, eu acho que vou dá uma volta, eu volto depois. – pensei, depois de ano que vem. Lucca deu ‘positivo’ com o dedão. Ri e sai andando.
Parei numa lanchonete, entrei, olhei um pouco o local. Lembrava os anos 70 ou 80 não sei ao certo. Estofados de couro vermelho, mesas redondas, piso de um tom branco ou bege, talvez estivesse apenas gasto pelo tempo. Esse tipo de local me agradava, me levava a uma época que não vivi, mas que apreciava bastante. Sentei-me na primeira mesa vaga que vi. A garçonete chegou.
- Vai fazer algum pedido agora moça?
- É... Um sorvete de chocolate, 2 bolas com brigadeiro e calda de chocolate por cima por favor.
- Ok. Só um minuto.
Ela não levaria apenas um minuto, mas todo o mundo insistia em usar este termo. Eu era apaixonada por chocolate. Quando ganhava uma caixa com, era muito egoísta, escondia e comia aos poucos. E esse sorvete era o meu preferido: simples e saboroso.
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