Visualizações !

quarta-feira, 27 de abril de 2011

cont. cap. 1;

Passei a noite recebendo os parabéns, recebendo as pessoas. Simplesmente observando. Tinha alguém que me chamava a atenção em especial. Não o vi acompanhado a noite inteira, então devia estar sozinho. Aproximei-me, esperava não correr o perigo dele namorar e ela não está lá. Respirei fundo. Pensei “é só um cara Summer, ele tá na sua festa. Você manda aqui essa noite então pode falar com quem quiser!”
Cheguei bem perto, ele me viu e sorriu, involuntariamente sorri de volta.
- Oi! Ainda não tive a oportunidade de parabenizá-la. – disse isso, abraçando-me.
- Ah! Obrigada.
Fiquei ali calada por alguns minutos imaginando que tipo de assunto eu podia puxar. Eu estava ensaiando mentalmente o que ia falar. Isso era completamente ridículo.
- Bom, acho que você não sabe o meu nome não é?
- É. Então qual o seu nome?
- David.
- David ...
- O resto não interessa muito.
Ergui uma das sobrancelhas, meio confusa pelo fato dele não querer contar-me seu sobrenome, mas continuei a conversar.
- Quer ir lá pra fora? Aqui é meio difícil de conversar não acha?
- Ah! Claro, vamos – respondi.
Saímos pela multidão de pessoas chegando até a entrada da academia, sentei-me no batente da calçada, ele sentou-se do meu lado.
- Quinze anos! Nossa, eu me lembro de quando eu o fiz, bom para meninos é mais diferente, acho que gostamos mais quando fazemos 18!
- Eu nunca fui muito “fã” de aniversários, então pra mim eu apenas estou ficando um ano mais velha.
- Por não gosta de aniversários?
- Não é que eu não goste... Eu não gosto dos MEUS aniversários.
- Por quê?
- É complicado... – baixei o olhar.
- Tenho a noite toda. – sorriu
- Sabe... Quando eu tinha 7 anos, quer dizer, 6 por que isso aconteceu um dia antes do meu aniversário. Meu pai me levou, e minha mãe também, para saltarmos de pára-quedas, eu não ia saltar claro, mas ele e mamãe iam. Era um dia lindo- sorri com os olhos marejados – quando chegamos lá em cima, papai disse que saltaria primeiro, mamãe estava morrendo de medo, praticamente estava desistindo, mas papai não. Era o fim de um ano, ele queria começar o outro saltando... Nas alturas – uma lágrima escorreu do meu rosto- eu queria tanto saltar com ele, mas ele disse que quando eu fizesse 15 anos, ele me levaria, e pulou. Ficamos olhando pra baixo, vendo ele saltar. Esperei pra ver as lindas cores do pára-quedas dele. Só que depois de alguns segundos, o pára-quedas não abriu... – enxuguei as lágrimas que já escorriam por meu rosto, fiquei alguns segundos olhando pro nada. – quando minha mãe percebeu o que havia acontecido, eu vi o rosto dela todo vermelho, segurando as lágrimas que não deviam ser seguradas. Ela abraçou-me forte, eu era pequena, mas entedia fácil as coisas. Eu a abracei e disse “ficará tudo bem mamãe”. Ela apenas ficou calada, e no dia seguinte, ela acordou cedo deu um leve sorriso e me desejou feliz aniversário com os olhos vermelhos. Eu sinto que ela superou, mas eu nunca superei, e é por isso que eu não gosto do meu aniversário.  – lembrei do que havia acontecido mais cedo comigo, a minha crise de choro do nada.
- Nossa! Que barra, mas... Eu percebi que ele disse que quando fizesse 15 anos te levaria para saltar. Ainda tem vontade?
- NÃO! Pára-quedas é algo que eu não gosto de ver nem em desenho.
- Entendo.
- Eu nunca havia falado isso com ninguém antes...
- Que honra... Eu acho. Mas você nem me conhece direito... Então por que?
- Talvez seja por isso.
- Isso o que?
- Que eu nem te conheça direito. – sorri e falei já me levantando e voltando para a festa.
Fiquei parada perto da porta.
- Não vem?
Ele olhou-me e sorriu.
- Não, mas eu quero te levar num lugar.
Olhei-o meio desconfiada, afinal... AONDE ELE IRIA ME LEVAR?
- Só por curiosidade, mas aonde você tá pensando em ir?
- É surpresa!
- AAAH! Tudo bem.
Desci até onde ele estava. Ele passou o braço pelo meu ombro deixando-me mais perto dele, dei um leve sorriso.
- Você é até legal sabia?
- É e você não é de se jogar fora.
Ele riu.
- Não é?
Gargalhei
- Melhor deixar isso pra lá.
Andamos um pouco até o carro dele, ele abriu a porta do passageiro para eu entrar, deslizei até o banco, e enquanto ele ia até o lado do motorista, fiquei olhando o carro. Bom, ele era organizado ao menos. Ele entrou, fechou a porta, ligou o carro e saiu dirigindo.
- Será que agora pode me contar aonde vamos?
- Não, já disse que é surpresa.
Ligou o radio.
- OH MY GOD! NICKELBACK?!
Ele assustou-se um pouco com meu grito.
- É... Você gosta?
- Apesar de ser uma banda meio antiga, eu amo!
E começamos a cantar “Far Away” juntos, quando ouvi aquela voz cantando... Nossa! Ele cantava divinamente.
“ 'Cause you know, you know, you know...” (Porque você sabe, você sabe, você sabe...)
Olhou bem para mim e continuo a letra
That I love you, I have loved you all along and I miss you”. (Que eu te amo, eu sempre te amei e eu sinto sua falta)
Fiquei vermelha pela letra. Ele ficou me olhando por alguns segundos, o que me deixou mais constrangida.
- É, estamos pertos? – gaguejei um pouco
Olhou um pouco mais pra frente.
- Chegamos.
Desceu do carro e veio até o meu lado e abriu a porta, como um lindo cavalheiro. Sai do carro, ele pegou minha mão e fomos em direção ao local.
- Um salão de dança aberto? Não sabia que ainda existiam esses locais aqui.
Era um salão de dança aberto para quem quisesse ir lá dançar. Ele foi na direção da pista, envolveu delicadamente um braço em volta da minha cintura, e outro segurou minha mão. Eu ainda estava meio distante, então ele me levou para mais perto do seu corpo, tão perto que conseguia ouvir os rápidos batimentos do seu coração e sentir sua respiração. Com as testas coladas uma na outra, baixei o olhar, virei o rosto e recostei minha cabeça sobre o ombro de David, fechei os olhos e simplesmente vivia um sonho. Enquanto ele me guiava sentia meus pés fora do chão, e quase estavam mesmo, pois em alguns momentos ele erguia meu corpo do chão.
Ficamos ali “dançando” por alguns minutos, talvez até horas. Já havia perdido a noção do tempo. Ele dançava, eu apenas cambaleava de um lado a outro. A música lenta não ajudava muito, era meio constrangedor até. Ele olhou-me por alguns longos segundos, colocou sua mão no meu queixo, erguendo meu rosto deixando-me mais perto dele. Respirei fundo, arfei. Ele foi aproximando-se cada vez mais. Deixou a boca perto do meu rosto, e deu um demorado beijo na minha bochecha próxima ao canto da minha boca.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Musics !