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Era apenas mais um dia comum. Abri os olhos, vi aquele teto pintado com uma tinta lilás que minha mãe tanto insistia em deixar. Fiquei observando cada mínimo detalhe que havia ali por um 3 minutos, acho que foram apenas 2, isso não interessa. Estiquei as pernas, e coloquei-as para fora da cama, pisei no chão o que causou-me um leve arrepio, estava frio. Não gosto de citar lugares, prefiro dizer que moro no mundo e deixar a imaginação das pessoas fluírem, imaginando o local onde vivo. Mamãe diz que nossa casa parece a de uma boneca, afinal moram apenas 2 mulheres naquela gigante mansão. Sim, só moramos nós duas... Meu pai faleceu quando eu tinha 7 anos, foi trágico mas eu superei como toda menina... Como toda menina. Já de pé ouvi minha mãe ao telefone marcando um horário na academia, ri baixo. Ela se cuidava demais, quem vê não dá a idade que ela realmente tem, e que ninguém nunca saberá por que ela não conta para ninguém! Fui até o espelho grande que havia no meu quarto, fiquei olhando um pouco, tirei a camisola curta branca. Isso parece paranóia, mas observei meu corpo. Alguns dizia que era mais maduro digamos assim, que meu corpo não era o de uma garota de 15 anos. Já eu achava o contrário, me achava com o corpo de criança, o que eu odiava plenamente! Parei, peguei minha toalha e fui para o banheiro, liguei o chuveiro, tremi pela água gelada. O aquecedor estava quebrado e minha mãe queria concertar sozinha, o que ocasionava mais estragos pela casa.
Tomei o meu banho matinal, vesti qualquer coisa que achei pela frente, um short verde e uma camiseta bege. Desci as escadas, peguei uma maça não muito vermelha que estava em cima do balcão de mármore que ficava na cozinha, ela ainda estava no telefone, largou-o assim que me viu.
- Bom dia mocinha, ou devo dizer senhorita?
- Mãe! – revirei os olhos
- Que foi? – puxou-me e me abraçou forte, deu um beijo na testa. Ri abafadamente
Olhei-a nos olhos
- NADA. Nada de festa ok?
- LALALA’ – riu- Tá bom tá bom.
Olhei-a com olhos semi-serrados. Apertou-me contra o peito
- AAH! Minha mocinha tá ficando velha! 15 anos! Deveria ter festa sua chata! – fez aquele bico horroroso que acabava com qualquer um!
Abracei-a amorosamente, e tentei conquistá-la
- Prefiro comemorar apenas com você!
- VOCÊ?
- AAH MÃE! Desde quando eu chamo você de senhora? – gargalhou alto
- Eu te criei muito mal eim!
- Criou nada, fez um péssimo... Quer dizer, ótimo trabalho mãezinha- riso amarelo, soltei-a e continuei a comer a maçã.
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